memeplexo :: eurotour
da cidade eterna
roma, caput mundi.
barcelona foi um tiro so, ficamos de um dia para outro. parc guell, as casas do gaudi, fundacao miro. ruas vertendo turistas, milhares por quadra, de todas a mais insuportavel. e a mania bairrista, portoalegrista, de falar tudo em catalao. como se (segundo o bilhete de informacao turistica) 4 milhoes de pessoas falassem de fato catàla. VAI NESSA. depois milao, mas sem tour, so conexao ate sao bonifacio, onde minha tia tem um apartamento. pequena cidade, deveras provinciana. menos de 10 mil habitantes. entao verona, algum sightseeing, pouca coisa pra ser vista, ademais. suposta casa de julieta, templo propriamente pagao, bilhetes votivos espalhados por todas as paredes. tenho fotos (alias, o espaço no terra acabou, agora mando fotos apenas depois de retornar a terra brasilis). para veneza, os tais canais, a piazza san marco, milhares de pombos (ratos com asas), mais canais, mais igrejas domadas, uma ao lado da outra, gondolas, turistas, taxi-lancha (caro pacas). entao, ravenna. capital ostrogoda, capital do imperio romano oriental no ocidente, capital da italia romagna. san vitale, mosaicos bizantinos, mausoleu de teodorico, constantino em pedrinhas. melhores mosaicos da cristandade. tumba de dante. dai, para florença, casa de dante, piazza del duomo, quadrante de esculturas, medusa decepada, dezenas de palacios. em plena segunda feira. nenhum museu aberto, me escapou davi, botticeli, etc. e entao a civitas aeterna, roma, caput mundi. ontem de madrugada, depois de encontrado o hotel (uma quadra da fontana di trevi, 20 min de caminhada do tal vaticano) fui andar pelo monte palatino, ao lado do coliseu, pelo forum de trajano, atraves do mercado de augusto, subindo pela via sacra, ate o capitolio. hoje, visita ao vaticano. daqui onde teclo, 5 min da piazza san pietro. na frente da capela sistina, atravessarei a rua entrarei pelos umbrais, musei vaticani, entre tanto o que se ver lacoonte envolto com seus filhos no proprio erro. roma é o fim de todo o turismo, credi in me.
da madri asturiana
a começar, chegamos em madri. da estaçao de autobuses até atocha, passando pelo spot dos bombardeios da al qaeda, 5 minutos. saímos na frente do museu reina sofía, ilustre casa da tal da guernica. no piso primeiro, a pura abstraçao dos monocromistas. depois dalí, e subindo miró (dúzias de). ao final, a sala da guernica. quando entrei, TAPEI OS OLHOS. os estudos do picasso para o quadro estao espalhados pelas paredes adjacentes ao mural. fui de um em um, do cavalo à lampada à mae com o filho. e depois ela em pessoa. é horrível, acreditem-me. pura morte e desconjuntura. dá engulhos. ontem, prado. tenho muitas fotografias de lá. el bosco, rubens, goya, velazques, tintoretto, mabuse, rafael, you name it. está tudo lá. estatuária grega & romana. hoje voltei, tinha conseguido ir até el bosco só. depois, voltas pela cidade. palácio real, templo de debod, plaza mayor. o calor continua pegando forte. a noite é quente pacas (nos três sentidos). em breve, barcelona. de lá, nápoles. depois subindo a costa, até milao. nunca acaba, que massa. nao tenho mais o que contar. vejam as fotos. valem mais que 1k de texto, indeed.
de guadalquivir, al-andalus
córdoba tem um definitivo clima de passado irrecuperável. ainda estou procurando a palavra para descrever esse algo perenemente perdido. capital da expansao mourisca na europa, sua história pesa demais. estamos no hostel, de onde estou postando (um grande centro da telefônica com telas de cristal líquido e conexao t3), a apenas uma quadra da grande mesquita. considerada pelos mulçumanos como o terceiro lugar mais sagrado (ficando atrás apenas da kaaba de meca e da mesquita al aksa, em jerusalém, de onde o profeta ascendeu ao céu) a mesquita cordobenha possui um manuscrito original do korao e um osso do braço do Mohamed. por estes motivos, tornou-se o centro de peregrinaçao da regiao de al-andalus (andaluzía atualmente). andando pelas ruas, entretanto, ruas que foram frequentadas por averroes (por ironia, o grande introdutor de aristóteles ao ocidente pós-antigo), onde carlos V e alfonso X passaram com suas coortes, a impressao mais marcante é a de oblívio. começa pela própria mesquita, fervilhando no sol andaluz com centenas de turistas de todo o mundo, estorquidos em 6,5€ para uma visita ao interior do lugar sagrado. no centro da mesquita, em 1523, foi construída (com o óbvio intuito de ofuscar a grandeza mourisca do lugar) uma catedral renascentista. o resultado é deprimente, pois a regularidade e beleza austera do lugar é invadida, no coraçao, por um enxame de imagética da cristandade tardia, cheia de si e de seus objetivos de salvaçao universal. ao lado do trabalhado minucioso e cheio de circunvolutas do teto e paredes da mesquita brotam anjos rechonchudos e cenas do martírio cristita. ademais, o centro histórico da cidade (aqui onde estamos é a judería, o bairro judeu) é um entremeado de ruas que se cruzam a cada trinta passos, de casaroes altos que quase se tocam em suas cumeeiras, numa repetiçao nauseante de lojas de souvenires. de outros espólios encontráveis fazem parte ruínas romanas, palacios renascentistas e o guadalquivir, tortuoso e um tanto ralo para sua fama, atravessando a cidade. desde os enxames turísticos (com direito a procissoes de japoneses de viseiras fumê) até o comércio vendilhao (como aqueles do templo de jerusalem), córdoba sofre com sua glória passada, agora conspurcada irremediavelmente pelo selo UNESCO de patrimônio histórico da humanidade.
de lisboa, fotos novas foram adicionadas ao álbum, assim como este primeiro dia cordobês. a viagem de portugal até aqui aconteceu sem muitos percalços, num ônibus insuportável guiado pela proverbial inteligência portuguesa. chegamos em sevilha às seis horas da manha, para descobrir que os trabalhadores acordavam apenas às oito (incluso sistema de transporte público). a viagem até córdoba foi interessante, cortando planícies desoladas por plantaçoes de girassóis secos até perder de vista. ficaremos mais dois dias aqui, amanha pretendo ir até granada, e depois voltaremos a sevilha, para uma estadia de dois dias. segundo consta no meu roteiro, la marcha, como é conhecida a noite sevilhana, é um fenômeno à parte neste sul de espanha, que deve ser acompanhado de perto e com satisfaçao.